top of page

''Versão contemporânea da comédia DOIS PATRÕES segue temporada de sucesso no Teatro Itália em São Paulo''

  • 27 de jan.
  • 5 min de leitura

Dirigido a quatro mãos por Neyde Veneziano e Giovani Tozi, que assinam, respectivamente, tradução e adaptação, o espetáculo Dois Patrões apresenta 10 artistas em cena. A nova versão é ambientada em uma festa de noivado organizada por um bicheiro poderoso.




Créditos da foto: Priscila Prade

 


O ano de 2006 marcou o encontro de dois artistas de forma definitiva. Neyde Veneziano abria testes para seu novo espetáculo “Arlequim e Seus Dois Patrões”, e um jovem chamado Giovani Tozi, então bailarino e estudante de teatro, tentava o primeiro trabalho no teatro profissional. O teste deu certo. A estreia aconteceu pelas mãos de uma das diretoras mais importantes quando o assunto é teatro popular e, em especial, a commedia dell’arte. Para celebrar vinte anos desde esse primeiro encontro, Tozi e Veneziano retornam ao título que os aproximou.

 

Dividem a direção e a nova montagem de “Il servitore di due padroni”, de Carlo Goldoni, que estreou no dia 16 de  janeiro de 2026, no Teatro Itália, com tradução de Neyde Veneziano e adaptação de Giovani Tozi. A dramaturgia mantém o enredo central e os arquétipos fundamentais, como Pantaleão, Doutor e Arlequim, mas desloca tudo para uma atmosfera contemporânea, brasileira e urbana.

 

Segundo Tozi, o ponto de partida da adaptação foi o conceito das máscaras da commedia dell’arte: “Elas não representam animais ao pé da letra, mas carregam traços animalizados que indicam instinto, energia e função social. A partir dessa lógica, surgiu a associação com algo profundamente brasileiro, popular e simbólico: o jogo do bicho. Essa aproximação me abriu portas para uma leitura atualizada das figuras clássicas.”

 

“A adaptação do Giovani ficou genial, maravilhosa”, pontua Neyde, que acolheu a sugestão de Tozi para dirigirem a quatro mãos. “Com texto extenso, elenco de 10 atores e várias cenas, a dinâmica de dois encenadores resolveu a questão de aproveitar melhor o pouco tempo disponível dos ensaios até a estreia”, conta.

 

Na divisão de tarefas, Neyde procura ambientar o elenco no cenário e dá atenção à composição física das personagens, especialmente na transposição da dramaturgia para a atualidade, já que o espetáculo se passa em 2025. Tozi cuida de deixar o elenco pronto em aquecimentos e leituras, além de dar foco nas intenções, em como eles devem se expressar.

 

Versão brasileira tem bicheiro e social media

 

Nesta versão, Pantaleão é um bicheiro que deseja casar a filha para estabilizar (e lucrar) a divisão de territórios vizinhos. O Doutor segue advogando, mas agora presta serviço para os bicheiros que aumentam sua fortuna. A história inteira acontece dentro de uma festa de noivado que nunca termina, um ambiente onde todos parecem ser “inimigos do fim”. O clima mistura o absurdo de Buñuel em “O Anjo Exterminador” com a lógica caótica e sedutora de “Vale o Escrito”.

 

O resultado é uma comédia de ritmo acelerado, com linguagem de 2025, que respeita a tradição da commedia dell’arte ao mesmo tempo em que a reinventa dentro da realidade social brasileira vibrante, contraditória, perigosa e irresistivelmente cômica.

 

Na versão que estreou no Teatro Itália, a trama ganha novos contornos e personagens inseridos no universo brasileiro de 2025. O Arlequim de Goldoni se transforma em Tico Sorriso, vivido por Felipe Hintze. Além de carnavalesco de uma escola de samba de quarta divisão, Tico é um PJ que acumula empregos para conseguir pagar as contas no fim do mês.

           

Esmeraldina, interpretada por Mila Ribeiro, torna-se assessora e social media de Clarice Lombardi, personagem de Camilla Camargo, que está decidida a assumir os negócios da família assim que se casar com Silvio Salvatti. Silvio, interpretado por Marcus Veríssimo, é um playboy que vive à sombra do pai, o Doutor Salvatti, papel de Jonathas Joba, um advogado influente que, sempre que bebe, passa a falar em latim. Como ninguém para de beber na festa, suas conversas com Pantaleão Lombardi, vivido por Marcelo Lazzaratto, tornam-se cada vez mais confusas.

           

DJ em cena


A história se embaralha de vez quando Beatriz Rasponi, interpretada por Larissa Ferrara, aparece vestida como o próprio irmão, Frederico Rasponi, para tentar recuperar o dinheiro que ele havia deixado escondido com Pantaleão. Como esse irmão tinha um casamento arranjado com Clarice, Frederico precisa sustentar a farsa e simular um interesse amoroso que nunca existiu.


O sedutor e esforçado Luca Aretusi, personagem de Gabriel Santana, casado com Beatriz, é o principal suspeito do assassinato do cunhado e surge em busca da esposa desaparecida. Para tentar ajudá-lo, ou complicar ainda mais a situação, entra em cena Briguela, interpretado por Gabriel Ferrara, dono do Hotel Goldoni Palace e responsável por receber todos e manter a festa funcionando. Essa celebração interminável é embalada pela música original, e ao vivo, de Nando Pradho, que dita o ritmo dessa comemoração que simplesmente se recusa a acabar.

 

O encontro de Veneziano-Tozi e o clássico

 

“Naquele ano em que fui chamada para dirigir um espetáculo no Hopi Hari, o parque temático estava em seu auge, vivia um período áureo de produções, além de estar localizado numa região próxima à Unicamp. Como eu ainda estava na universidade, convidei vários atores de lá para fazerem o teste, além de abrirmos a oportunidade para outros estudantes. De repente, Giovani me encantou: uma cara boa para viver um dos tipos, sensibilidade, um menino gentil, talentoso e disponível para trabalhar. Adaptei a peça e montei com máscaras para deixar o espetáculo mais leve e bonito. Foi assim: aquele ator coube muito bem no personagem escolhido para ele, o  enamorado.”

 

Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni, estreou em 1745 em Milão. A peça marcou uma revolução estética no teatro europeu, pois transformou a commedia dell’arte improvisada em uma comédia escrita, estruturada em texto dramático, sem perder o humor popular e a vitalidade dos tipos tradicionais.

 

FICHA TÉCNICA


Texto: Carlo Goldoni.


Tradução: Neyde Veneziano.


Adaptação: Giovani Tozi.


Direção: Neyde Veneziano e Giovani Tozi.


Elenco: Camilla Camargo, Felipe Hintze, Gabriel Ferrara, Gabriel Santana, Larissa Ferrara, Jonathas Joba, Marcelo Lazzaratto, Marcus Veríssimo, Mila Ribeiro e Nando Pradho.


Cenógrafo e diretor de arte gráfica: Giovani Tozi.


Design de luz: Cesar Pivetti.


Figurinista: Gi Marcondes.


Trilha Sonora Original: Nando Pradho.


Assessoria de Imprensa: Arteplural – M Fernanda Teixeira e Maurício Barreira.


Fotografia: Priscila Prade.


Video: Luz Audiovisual.


Redes socais: André Massa.


Design gráfico: Gigi Prade.

 

Direção de Produção: Giovani Tozi.


Produção Executiva: Thomas Marcondes.


Assistente de Produção: Pedro Sousa.


Administração Financeira: Carlos Gustavo Poggio.


Realização: Corpos Sensores Produtores Culturais.

 

 SERVIÇO:


TEATRO ITÁLIA


Temporada de sexta a domingo até 1 de março de 2026. Sessões - Sextas e sábados 20h, domingo 18h. Ingressos 80,00 (inteira) e 40,00 (meia). Classificação 12 anos.


Endereço: Av. Ipiranga, 344 - República, São Paulo


Link de vendas:




Fonte: Arte Plural

 

Comentários


Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga Destaque Por Aqui
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black

Visto em

    Gostou da leitura? Anuncie agora e me ajude a proporcionar notícias e análises aos meus leitores  

© 2023 por Destaque Por Aqui

". Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page