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''Sesc Santana recebe a premiada companhia carioca Amok Teatro em“Furacão''
- Renata Porto
- 9 de jan.
- 4 min de leitura
Um diálogo entre contemporaneidade e ancestralidade que traz à tona uma África em diáspora: a comunidade negra do Sul dos EUA.
Estreia em 17 de janeiro, sexta-feira, às 20h.

Baseado na obra homônima do escritor francês Laurent Gaudé, o “Furacão” traz uma personagem da comunidade negra de Nova Orleans, face à violência do Katrina, furacão de devastou o sul dos Estados Unidos (2005). O espetáculo dirigido por Ana Teixeira e Stephane Brodt, que também assinam a adaptação do texto de Gaudé e um elenco composto pelas atrizes Sirlea Aleixo e Taty Aleixo, e pelos músicos Anderson Ribeiro e Rudá Brauns, estreia em 17 de janeiro, no Sesc Santana, em temporada que permanece em cartaz até 16/02, de quinta a sábado, às 20h, domingo e feriados, às 18h.
“FURACÃO” coloca, em cena, uma poderosa personagem feminina alertando para a situação dos excluídos diante das catástrofes climáticas que devastam o planeta em uma narrativa que funde a gravidade do trágico com a doçura da fábula, exaltando a beleza comovente daqueles que, apesar de tudo, permanecem de pé”, explica a fundadora do Amok Teatro, Ana Teixeira, que assina a direção e adaptação do texto de Laurent Gaudé, ao lado do parceiro Stephane Brodt.
Em 2005, quando o Katrina devastou o sul dos EUA, a artista recorda: “assistimos a pessoas brancas dos bairros ricos sendo evacuadas e, as mais pobres, em sua maioria pessoas negras, abandonadas à própria sorte”. Diante de tudo o que tem acontecido com o planeta, afirma: “Precisamos olhar de frente para o problema da emergência climática. Não basta fiscalizar e punir. Precisamos de programas de reflorestamento, de recuperação dos biomas.
Estamos assistindo a falência do planeta e parecemos anestesiados. O teatro tem essa capacidade de resgatar nossa humanidade, exercitar a empatia, de não nos deixar esquecer da fragilidade da vida”, complementa.
No coração da tempestade, Joséphine Linc Steelson, “uma velha negra de quase cem anos” enfrenta a fúria da natureza. Uma mulher marcada pela segregação racial. Uma voz que ecoa como um grito na cidade inundada e abandonada à própria sorte. O espetáculo segue a trajetória desta mulher cuja história poderia ser também a história de tantas outras mulheres brasileiras.
Com direção musical de Stephane Brodt, as músicas negras estadunidenses (em particular, o blues) são tocadas ao vivo pelos músicos Rudá Brauns e Anderson Ribeiro, acompanhados de Taty Aleixo no vocal.
Além de assinarem a criação e produção musical, eles tocam também versões próprias de clássicos como Pussycat Moan, de Katie Webster; O Death, de Ralph Stanley; Hard Times Killing Floor Blues, de Chris Thomas King; e Strange Fruit, de Abel Meeropol.
A ambientação cênica de "Furacão" é inspirada no Preservation Hall Jazz Band, uma pequena casa de jazz em Nova Orleans que apresenta shows intimistas e acústicos da banda com o mesmo nome, local onde a diretora Ana Teixeira esteve repetidas vezes.
"Furacão" nasce e se nutre de dois projetos da trajetória recente do Amok Teatro, o ciclo da África com Salina – A Última Vértebra (2015) e Os Cadernos de Kindzu (2018), e o ciclo das mulheres com Jogo de Damas (2019) e Bordados (2023), assim como dialoga com alguns outros grandes problemas do mundo na atualidade. “O teatro como o lugar da experiência do outro”, nos revela os diretores.
"Furacão" estreou nacionalmente na noite de 3 de agosto, quinta-feira, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Rio de Janeiro.

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