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''Sesc Pompeia recebe espetáculo “Dias Felizes” de Samuel Beckett, em montagem da Armazém Companhia de Teatro''

  • há 2 horas
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Sesc Pompeia recebe “Dias Felizes” de Samuel Beckett, em montagem da Armazém Companhia de Teatro.




Foto: João Gabriel Monteiro



“Dias Felizes”, de Samuel Beckett, retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, explorando, com ironia mordaz, o frágil equilíbrio entre o contentamento e o desespero. Neste clássico do século XX, a condição humana é exposta com brutalidade e sarcasmo, revelando como nos agarramos a rituais e memórias para suportar a passagem do tempo. Sob a direção de Paulo de Moraes – vencedor em 2024 do Prêmio APTR de Melhor Direção por “Brás Cubas” –, a montagem ressignifica a jornada de Winnie (Patrícia Selonk – vencedora dos prêmios Shell, Mambembe e APTR), explorando a fina camada que separa o otimismo da resignação. A temporada de estreia em São Paulo será no Sesc Pompeia, de 25 de junho a 19 de julho.

 

Enterrada até a cintura – e depois até o pescoço – Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa: uma escova de dentes, um batom, um espelho – e, mais ameaçadoramente, um revólver. Willie, seu companheiro enigmático e silencioso, é interpretado em dias alternados por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes. Na concepção da Armazém, Willie não é apenas um espectador passivo da decadência de Winnie, mas um parceiro de cena improvável – ora cúmplice silencioso, ora um lembrete incômodo de que até a solidão pode ter companhia.

 

Beckett definiu Winnie como “um pássaro com óleo em suas penas”, uma criatura do ar condenada a uma existência terrestre. Sua luta não é apenas pessoal, mas também coletiva. Se, no passado, a paisagem desolada da peça remetia à catástrofe nuclear, hoje ela ressoa com a paisagem ressecada do aquecimento global. A crise existencial do eu se funde à crise da espécie – e talvez do planeta. (Paulo de Moraes)

 

Na montagem, o humor ácido de Beckett ganha relevo, revelando-se nas repetições obstinadas de Winnie, em seu otimismo inabalável diante do absurdo e na própria mecânica implacável do tempo. Entre o riso e a ruína, a peça constrói um jogo cruel e fascinante, onde cada palavra dita ressoa como um eco entre a esperança e o delírio.

 

Sobre a estética da montagem da Armazém, por Paulo de Moraes

 

Dias Felizes é uma peça sobre a insistência. E nosso cenário tenta tornar visível essa insistência: o deserto como palco, o horror como textura, a luz como testemunha. Na nossa montagem, a beleza não surge apesar do horror — ela nasce dele. O cenário parte desse princípio. A superfície inclinada, instável, quase desumana, não representa apenas a terra que engole Winnie: ela é um corpo estranho, áspero, um terreno que recusa qualquer promessa de conforto. Ainda assim, é ali, nesse espaço de ruína e desamparo, que procuramos um tipo raro de beleza — aquela que não suaviza o abismo, mas o revela.

 

A luz de uma espécie de sol impossível, é mais testemunha que outra coisa. não vem iluminar para proteger; ilumina para expor. É uma beleza que queima. Um brilho que denuncia a imobilidade, que embala com violência, que transforma a rotina de Winnie em uma espécie de ritual trágico. Ao mesmo tempo, essa luz cria uma poética própria: uma paisagem onde o horror ganha contornos nítidos e, paradoxalmente, delicados. É a beleza do inevitável, que existe quando a vida continua apesar de tudo.

 

Outro ponto fundamental, é que houve uma preocupação em nossa montagem de usar um procedimento que o próprio Beckett usou, quando fez sua versão em francês do texto originalmente escrito por ele em inglês. Como Beckett faz no texto diversas citações a autores e textos, quando traduziu sua obra para o francês, Beckett trocou as citações para autores e obras relacionadas à língua francesa. Da mesma forma, na tradução de Jopa Moraes, as citações foram substituídas por autores e obras da literatura em língua portuguesa. Mantém a essência beckettiana, mas aproxima um pouco mais o espectador brasileiro do universo da peça.


Serviço


Dias Felizes, de Samuel Beckett


Direção: Paulo de Moraes


Elenco: Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.


Local: Sesc Pompeia – Rua Cléia, 93, Pompéia, São Paulo


Temporada: 25 de junho a 19 de julho de 2026


Horários: Quintas às 20h, sextas às 16h e 20h, sábados às 20h e domingos às 18h.


Valor dos ingressos: R$ 70,00 inteira / R$ 35,00 meia / R$ 21,00 credencial plena


Classificação: 14 anos


Duração: 80 minutos

 

Ficha técnica

 

Dias Felizes, de Samuel Beckett


Direção: Paulo de Moraes


Elenco: Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.


Tradução: Jopa Moraes


Iluminação: Maneco Quinderé


Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes


Figurinos: Carol Lobato


Música Original: Ricco Viana


Designer Gráfico: Jopa Moraes


Fotografias: João Gabriel Monteiro

                                                            

Pedras Cenográficas: Alex Grilli


Efeito Sombrinha: Paulo Denizot


Videografismo: João Gabriel Monteiro e Paulo de Moraes


Assessoria para Videografismo: Rico Vilarouca


Assessoria de Imprensa: Ney Motta           


Colaboração Artística: Lorena Lima


Assistente de Produção: Lorena Lima e Malu Selonk   

                                         

Produção São Paulo: Pedro Freitas | Périplo     

                  

Produção: Armazém Companhia de Teatro

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