''Edwin Luisi estreia nova montagem do premiado espetáculo “Eu Sou Minha Própria Mulher”
- 26 de fev.
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Edwin Luisi estreia no Teatro Poeira nova montagem da peça “Eu Sou Minha Própria Mulher” , texto de Doug Wright e direção de Herson Capri.
Dezoito anos depois do enorme sucesso de crítica e público, o ator volta a contar a história da travesti alemã Charlotte von Mahlsdorf (1928-2002), que durante e após o nazismo sobreviveu à perseguição, ao preconceito e à violência. Guardiã da memória, criou um museu de antiguidades e manteve um cabaré LGTBQIA clandestino que se tornou espaço de resistência cultural e afetiva.
A peça, que na sua primeira montagem rendeu a Edwin Luisi os prêmios Shell e APTR de Melhor Ator, além do Prêmio Faz Diferença do Jornal O Globo, discute temas ainda mais atuais nos dias de hoje, como a LGBTfobia e o totalitarismo.

Foto: Livio Campos
''Eu Sou Minha Própria Mulher” é um dos maiores sucessos do teatro contemporâneo brasileiro. Com texto (vencedor do Prêmio Pullitzer) do dramaturgo texano Doug Wright, o solo consagrou-se como um marco na longa carreira de Edwin Luisi, que acumula dezenas de peças, pelas quais já ganhou os prêmios Shell, Mambembe, APCA, APTR, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Quality Brasil de Melhor Ator.
Na TV, entre seus quase 50 trabalhos, Edwin ficou mundialmente conhecido ao viver Álvaro, par romântico de Lucelia Santos na emblemática novela “Escrava Isaura”, de Gilberto Braga. Esteve ainda em outros trabalhos marcantes como “O Astro”, “Dona Beja”, “Mulheres de Areia”, “Sinhá Moça”, “Por Amor”, “Paraíso Tropical”, e mais recentemente em “A Lei do Amor” e “Família É Tudo”, entre outros.
“Eu Sou Minha Própria Mulher” volta aos palcos em nova montagem, que preserva sua essência original e dialoga diretamente com o presente. Em tempos em que questões de identidade, liberdade individual, intolerância e resistência seguem urgentes, a obra reafirma seu caráter atemporal e necessário. A peça é um convite à empatia, à reflexão sobre identidade e à celebração da coragem de existir.
“Antes de mais nada, é necessário dizer que essa é uma releitura, uma outra produção. Alguns profissionais mudaram, o texto foi atualizado. Inclusive a forma como eu encaro o texto é diferente daquela época, passaram-se muitos anos. Nesse meio tempo, tivemos muitas mudanças no mundo, sobretudo uma pandemia, que marcou a todos nós. E vejo o texto hoje muito mais atual do que na época, porque fala de identidade, resistência, da liberdade de se ser o que se é. Hoje tem muito mais campo pra esse tipo de narrativa, é uma pauta importantíssima em qualquer lugar do mundo. Na época em que montei, essas coisas ainda estavam muito diluídas.”, reflete Edwin Luisi.
Em cena, Edwin dá vida a vinte personagens para narrar a trajetória real e extraordinária de Charlotte von Mahlsdorf (1928-2002), uma figura histórica que atravessou alguns dos períodos mais sombrios do século XX mantendo viva sua identidade, sua memória e sua liberdade de ser.
Baseado em uma série de entrevistas concedidas por Charlotte ao autor Doug Wright, o espetáculo busca não apenas retratar uma trajetória individual, mas iluminar os mecanismos de opressão e, sobretudo, a força da resistência. Charlotte não é apresentada como heroína clássica, mas como alguém que escolheu existir plenamente, mesmo quando o mundo insistia em negá-la.
SINOPSE
A peça começa com o próprio autor Doug Wright sendo convidado a entrevistar e escrever a história verídica de Charlotte von Mahlsdorf. Inicialmente relutante, logo se rende ao fascínio pela sua retratada. Nascida em 1928 sob o nome de Lothar Berfelde, desde jovem se afirmava como mulher e assim viveu, assumindo sua identidade feminina em meio à violenta sociedade nazista. Os encontros entre Doug e Charlotte são intercalados por memórias e novos acontecimentos, que vão surpreendendo e transformando o olhar e os relatos de Doug.
A MONTAGEM
Sozinho em cena e sem recorrer a artifícios, valendo-se basicamente da sua interpretação, Edwin Luisi dá vida a mais de vinte personagens que cruzam a trajetória de Charlotte - seu pai, seu amante, oficiais nazistas, o próprio autor da peça e outros tantos. "Tive de buscar vozes, tipos, tiques, características próprias de cada um", conta o ator.
À época, a crítica Barbara Heliodora escreveu: "Edwin Luisi tem um trabalho de alta categoria, cujo maior mérito é a justa medida de tom e gesto nas incontáveis composições que chegam ao requinte de variar sotaques, falar bom e mau alemão".
No Jornal do Brasil, Macksen Luiz escreveu que “o ator escapa das armadilhas caricaturais de criar uma travesti, destacando o detalhamento corporal e vocal da interpretação”.



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