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''Comédia farsesca Entre a Cruz e os Canibais circula por teatros e equipamentos municipais para retratar com humor as origens de São Paulo''

  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Espetáculo questiona o mito bandeirante e circula por diferentes regiões da cidade em março



Cena de Entre a Cruz e os Canibais - Foto: Heloisa Bortz




Após a estreia no início do ano, o espetáculo Entre a Cruz e os Canibais inicia circulação por diferentes regiões da capital paulista, ampliando o acesso à obra e dialogando com o público em geral e alunos da rede pública. A proposta de descentralização leva a montagem aos CEU Alvarenga (Zona Sul) e CEU Parque Anhanguera (Zona Noroeste), ao Teatro Leopoldo Fróes, em Santo Amaro, e à Galeria Olido, no centro histórico, reafirmando seu caráter público e sua dimensão formativa. As apresentações, todas gratuitas, acontecem entre 18 e 29 de março, em datas e horários detalhados ao final do texto.


Com Entre a Cruz e os Canibais, Marcos Damigo dá continuidade à sua pesquisa dramatúrgica sobre a história do Brasil ao revisitar, em tom de comédia farsesca, as origens de São Paulo e o descompasso entre o projeto colonial e a realidade da então Vila de São Paulo de Piratininga. Ambientada em 1599, a trama acompanha a chegada do governador-geral Dom Francisco de Souza a uma pequena vila isolada pela Serra do Mar, onde quatro figuras de poder — o Juiz, o Vereador, o Procurador e o próprio Governador — disputam autoridade em meio a uma crise política iminente.



Enquanto os moradores se revoltam contra os desmandos do Juiz e cresce o temor de um ataque indígena provocado pelo sequestro de tupis aliados, o Procurador — um degredado com vínculos de proximidade com os indígenas — aposta na intervenção da Coroa para fazer cumprir a lei que proíbe sua escravização. O conflito expõe, com humor ácido, o embrião de um paradigma que marcaria a história nacional: justamente quando São Paulo ensaia seu primeiro impulso de progresso econômico, intensifica-se a exploração sistemática da mão de obra indígena.



Encenação


Damigo opta pelo humor como ferramenta crítica. A peça dialoga com uma tradição de comédias populares que expõem contradições sociais por meio do escárnio. A proposta não é reconstituir fielmente os fatos históricos, mas tratar os personagens como tipos, evidenciando a engrenagem de poder e os interesses que moldaram a narrativa heroica dos bandeirantes.


A trilha sonora original, composta por Adriano Salhab, estabelece pontes entre passado e presente, reforçando o comentário contemporâneo da encenação.


No elenco estão José Rubens Chachá (Juiz), Fábio Espósito (Vereador), Daniel Costa (Procurador) e Thiago Claro França (Governador-geral), atores com trajetória consolidada no teatro brasileiro.


O figurino incorpora referências visuais do modernismo e da tropicália, movimentos que revisitaram criticamente a construção da identidade nacional. O cenário é composto por lonas pintadas à mão, enquanto o cineasta guarani Richard Wera Mirim assina a criação em vídeo.


O espetáculo conta com patrocínio da Google Cloud por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (PROMAC).


Sinopse



Um Juiz autoritário descobre que o Vereador sequestrou ilegalmente tupis aliados, colocando em risco a pequena vila isolada do mundo europeu. A iminente chegada do Governador-geral do Brasil transforma o conflito em crise política. Entre interesses econômicos, exploração da mão de obra indígena e jogos de poder, a peça revisita, com humor ácido, o nascimento de uma narrativa que moldaria a identidade paulista.


Ficha Técnica



Dramaturgia, Direção artística, Desenho do cenário e Idealização: Marcos Damigo


Direção de Produção: Vi Silva


Direção musical: Adriano Salhab


Atores: José Rubens Chachá, Fabio Esposito, Daniel Costa e Thiago Claro França


Música ao vivo: Adriano Salhab e Thiago Claro França


Assistente de direção e Contrarregra: Warner Borges


Figurinista e Visagista: Marichilene Artisevskis


Iluminador: Ney Bonfante


Assistente de iluminação: Matheus Bonfante


Mobiliário cênico e Pintura do cenário: Jonato e Ever


Cenotecnia: Wanderley Wagner e Fernando Zimolo


Objetos e adereços cênicos: Marcos Damigo, Sofia Augusto e Warner Borges


Vídeos: Richard Wera Mirim e Santo Bezerra


Identidade visual: Santo Bezerra


Gestão de redes sociais: Flávia Moreira e Micaeli Alves (AuttivaLab)


Fotógrafa: Heloisa Bortz


Historiadores (consultoria histórica e palestrante): Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani


Consultoria dramatúrgica: Luís Alberto de Abreu


Produção executiva: Carolina Henriques (Rodri Produções)


Assistente de produção: Sofia Augusto


Administração financeira: Gustavo Sanna


Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes de Oliveira

 

Serviço:


Entre a Cruz e os Canibais


Duração: 85 minutos


Classificação indicativa: 12 anos


Gênero: comédia musical


Haverá bate-papo em todas as sessões e Libras e Audiodescrição nas sessões das 20h nos dias 18, 20 e 27 de março, e na sessão do dia 28 de março.


Circulação Março 2026


18 de março (quarta-feira), às 15h e 20h


CEU Alvarenga


Estr. do Alvarenga, 3752 – Balneário São Francisco – São Paulo/SP

 

20 de março (sexta-feira), às 15h e 20h


Teatro Leopoldo Fróes


Av. João Dias, 822 – Santo Amaro – São Paulo/SP

 

27 de março (sexta-feira), às 15h e 20h


CEU Parque Anhanguera


R. Pedro José de Lima, 1020 – Anhanguera – São Paulo/SP

 

28 de março (sábado), às 19h


29 de março (domingo), às 18h


Galeria Olido – Sala Olido


Av. São João, 473 – Centro Histórico – São Paulo/SP

 

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