''Com show intimista da nova turnê "Coisas de Viver", Roberta Campos se apresenta no Sesc Bom Retiro em São Paulo''
- 23 de mar.
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Em duas datas de apresentação (14 e 15/03), a cantora, compositora, instrumentista , produtora brasileira e compositora Roberta Campos se apresentou com sua nova turnê ''Coisas de Viver'' no Sesc Bom Retiro com em São Paulo.

Roberta Campos no Sesc Bom Retiro- Foto: Renata Porto.
No último final de semana, a cantora, compositora, instrumentista , produtora brasileira e compositora mineira Roberta Campos, uma das grandes apostas no segmento MPB da nova geração, se apresentou em formato intimista em duas datas consecutivas (14 e 15 de Março) no Sesc Bom Retiro, zona central da cidade, para apresentar o seu mais recente e elogiado trabalho, o show da turnê ''Coisas de Viver'', com repertório pautado no seu último trabalho homônimo, mas também passeia por referências musicais e pelo extenso repertório da carreira, que completam quase 20 anos.
Com direção musical assinada pela própria artista, o show apresenta essa nova fase, mais confessional, madura e com sonoridade que mescla folk, jazz, blues e um toque sutil de pop. Gravado em São Paulo, o sexto álbum de estúdio reúnem oito faixas inéditas, autorais e fortemente ligadas ao folk, gênero que acompanha Roberta desde o início da carreira.
E foi neste clima sofisticado, nostálgico e sentimentalista, que Roberta Campos acompanhada pela banda formada pelos músicos Alexandre Katatau (baixo), João Gaspar (guitarra e violão dobro), Marco Britto (teclados) e Pedro Mamede (bateria) se apresentaram com uma certa pontualidade para um teatro lotado, em grande maioria composto por uma base de fãs fiéis que acompanham a artista através das redes sociais, programas de TV e presencialmente em shows por toda a capital paulista.

Roberta Campos no Sesc Bom Retiro- Foto: Renata Porto.
Em contraste com uma certa timidez muito notória em toda trajetória da Roberta que diversifica com momentos de ternura, doçura , espontaniedade e interação amorosa com o público, a artista iniciou a apresentação sem delongas em voz e violão com as canções ''Peito Aberto'', ''Gerbera'', ''Casinha Branca'' , ''Fique na Minha Vida'' e ''Miragem '' canção gravada com a banda Natiruts, em um repertório que transita com muita leveza , habilidade e segurança em letras que celebram sentimentos cotidianos como o amor, o romantismo, esperança e a amizade, além de expressar com muita veracidade melodias melancólicas, profundas e cheias de sentimentalismo, transformando essa poderosa ferramenta de comunicação em uma experiência rica , emocional e complexa.
É impressionante e cativante o timbre de voz, a calmaria e a sutileza que Roberta usa com propriedade para apresentar as canções, além de conversar frequentemente com o público sobre as distintas fases da carreira. Entre um intervalo e outro, Roberta conversa com o público como se tivesse uma certa intimidade, faz questão de explicar os processos das canções, dos arranjos e produção , das referências e as respectivas parcerias musicais que acrescentam e abrilhantam mais seu trabalho reconhecido mundialmente, sendo indicada anteriormente ao Grammy Latino pelo álbum ''Todo Caminho É Sorte'' na categoria de "Melhor Álbum de Música Popular Brasileira'', esse mesmo disco teve 5 canções em trilhas sonoras de novelas , alcançando o feito de emplacar durante toda a carreira mais de 21 canções em trilhas de novelas, em uma carreira conquistada pelo talento, carisma , perseverança e autenticidade.

Roberta Campos no Sesc Bom Retiro- Foto: Renata Porto.
Em sequência a apresentação, Roberta Campos apresentou de forma dinâmica e vibrante as canções ''Pro Mundo Que Vira'', ''Sinal de Fumaça'', ''Começa Tudo Outra Vez'', ''O Futuro nos Aguarda'' e ''A Cor do Que eu Quero'', impressionando os presentes pela habilidade e autonomia de cantar e tocar violão com maestria enquanto consegue expressar sua mensagem, muitas vezes confessional e reflexivo com tanto altruísmo, lapidado e com veracidade. Era frequente enxergar na plateia entre os jogos de luzes , algumas pessoas revivendo silenciosamente as memórias íntimas e afetivas , levemente emocionadas e com os olhos marejados.
Sem pretensão de parecer vaidosa ou minimalista, Roberta Campos aproveitou um momento de descontração com a plateia para falar brevemente sobre suas declaradas referências musicais e que foram fundamentais na formação artística como Fernanda Takai do Pato Fu, Guilherme Arantes , Lô Borges, Marisa Monte, Humberto Gessinger, Beto Guedes, entre muitos outros, com gratidão notória por ter tido a oportunidade durante sua trajetória artística de realizar duetos e parceiras com a grande patente da música popular brasileira, aproveitou o momento para revelar ao público de forma divertida que nos anos 90 chegou a enviar uma carta para a conterrânea Fernanda Takai , sugerindo enviar algumas composições autorais para análise, o que foi correspondido prontamente , mas por receio e timidez acabou nunca enviando e não tendo o pedido realizado na época.

Roberta Campos no Sesc Bom Retiro- Foto: Renata Porto.
Mais descontraída e a vontade com a plateia, Roberta esboçou alguns sorrisos quebrando a seriedade instrospectiva do ínicio da apresentação, e aproveitou o monólogo sobre fases e processos da carreira, para dar continuidade ao show com as canções '' Abrigo'', canção em parceria com Fernanda Takai e que esteve na trilha sonora da novela global “O Outro Lado do Paraíso”, e ''Coisas de Viver'', canção que intitula o álbum da turnê, feito inteiramente de forma autônoma pela Roberta e parceria com Alexandre Fontanetti, com releituras, arranjos , roupagem e composições escolhidas pela própria artista.
Em um dos pontos alto da apresentação , Roberta Campos detalha brevemente sua história com a canção ''Lágrimas de uma Mulher'', canção de autoria de Guilherme Arantes, ao qual a artista teve a oportunidade de dividir o palco e criar uma cumplicidade, amizade e afinidade musical, além de dedicar essa canção as mulheres que escondem suas fragilidades, fortaleza e dores muitas vezes escondidas nas lágrimas femininas. De forma muito sutil e divertido, a artista pediu para o público filmar essa releitura da canção na voz dela e marcar Guilherme Arantes nas redes sociais para ele ter a possibilidade de visualizar a força e a emoção que essa canção ainda entoam e despertam nas pessoas mesmo mais de trinta anos do seu lançamento, sendo oportuna e significativa no contexto do Dia das Mulheres, celebrado mundialmente em março.
Dando continuidade a apresentação, Roberta ainda agradeceu a presença da amiga, musicista e multi-instrumentista Rayane Fortes, que estava prestigiando da plateia, ressaltando a alegria e a satisfação de tê-la em sua plateia. Com as canções ''Escapulário'' e a aclamada e mais conhecida do público ''De Janeiro a Janeiro'' , gravada com Nando Reis, Roberta Campos embalou os presentes, com suas letras reflexivas e alegres, que transmitem muitas sensações otimistas e satisfatória em quem permite escutar cada refrão, cada melodia que expõem abertamente as fragilidades , adversidades, coragens e desejos da própria artista em emanar amor , conexão e afeto em formato melodia por onde passa.
Dentro do esperado para o retorno da banda que acompanha Roberta, retornam ao palco para apresentar a canção ''Atento'', canção feita em parceira com a banda Tuyo, com letras que abordam de forma direta o processo de autoconhecimento e o cotidiano, fase adversa que Roberta afirmou ter experimentado durante a pandemia, período sabático que juntamente com a companheira e produtora, Marina Souza Campos, mudaram de cidade, vivenciaram pela primeira vez o sonho da maternidade, sua íntegra dedicação, reinvenção profissional e suas nuances, tornando o momento íntimo e confessional.

Roberta Campos no Sesc Bom Retiro- Foto: Renata Porto.
Habilidosa em explorar novas vertentes e releituras atemporais da música brasileira, o show no Sesc Bom Retiro teve de forma muito assertiva e cuidadosa inserido no set-list as canções ''Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor'' de Milton Nascimento, ''Um Girassol da Cor do Seu Cabelo'' em homenagem ao saudoso Lô Borges , ''Azul'' de Gal Costa e ''E eu Fico'', singles que promovem uma nova conexão com a criação intelectual da música, criando laços emocionais e sociais entre as pessoas, unindo as pessoas pelos mesmos sentimentos, reverberando emoções, em sensação de intimidade e pertencimento.
A artista faz muita questão de ser honesta com seu público , chegando próximo do fim do espetáculo, Roberta avisa de forma descontraída, simpática e espontânea que não teria bis na sua despedida ao final da apresentação, justificando sua decisão com a premissa que não poderia superar o frenesi e o despertar de emoções sobre a última música tocada. A artista ainda acrescentou que iria atender todo o público ao final da apresentação na parte externa, divulgando cordialmente a lojinha de mershadising com produtos da sua carreira como camisetas, discografias e itens personalizados, que seria autografado por ela, garantindo mais um momento marcante, afetivo e intimista com a artista.















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