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“A História Que Se Repete” com os atores Rocco Pitanga e Robson Nunes tem estreia nacional em 9 de outubro, no Sesc Ipiranga''

1 de out.
7 min de leitura

O espetáculo coloca Rocco Pitanga e Robson Nunes em cena para refletir sobre uma sociedade contemporânea presa a ciclos de espera e repetição.



Foto: Priscila Prade



O que acontece quando a espera deixa de ser apenas expectativa e passa a representar a própria condição de uma sociedade? É a partir dessa pergunta que foi concebido “A História Que Se Repete”. Com Rocco Pitanga e Robson Nunes no elenco, a montagem transforma a espera, a repetição e o esgotamento das possibilidades em matéria-prima para uma reflexão sobre os impasses do mundo atual. A estreia nacional será em 9 de outubro, no Sesc Ipiranga, onde fica em cartaz até 8 de novembro, com apresentações de quinta a domingo.


Idealizado pelo ator Alex Bartelli, o espetáculo tem dramaturgia original de Gabriela Mellão e direção artística de Eduardo Figueiredo, que já dirigiu grandes nomes do teatro brasileiro, entre eles Osmar Prado, Eva Wilma, Antonio Petrin, Leona Cavalli, Tânia Alves, Totia Meireles e Mel Lisboa.


O diretor está à frente desse projeto que reúne ainda uma eclética e premiada equipe, com direção musical e trilha original de Federico Puppi, cenografia de Kleber Montanheiro, desenho de luz de Aline Santini e figurinos de Ronaldo Fraga, formando assim uma equipe artística que combina teatro, música, visualidade e referências da cultura brasileira para recriar o universo do absurdo.


Rocco Pitanga e Robson Nunes interpretam homens que habitam um futuro distópico no qual tempo, memória e realidade parecem submetidos a ciclos intermináveis. Eles se encontram, desencontram, esperam e novamente recomeçam. Entre a resistência e a resignação, os personagens enfrentam uma realidade em que as possibilidades de transformação parecem se esgotar e a opressão é normalizada. Ao mesmo tempo, encontram na música, no humor, no desejo e na própria presença um do outro, pequenos lampejos de vida.


Para a autora Gabriela Mellão, “eles ensaiam a celebração da vida, ou o que restou dela, festejando os mistérios da existência. Exaltam a beleza da humanidade, mesmo que num mundo reduzido à miserabilidade de um cotidiano insensato que parece não ter ponto de partida ou chegada, não servir a propósito algum a não ser a manutenção da incerteza, da insegurança e da solidão. Desobedecem às limitações de uma existência lógica para personalizar suas incoerências, seus paradoxos, e transbordar todo o maravilhamento que pulsa do extrato da vida. Apesar do estado máximo de restrição em que se encontram, os personagens possuem lampejos de desejos, faíscas de um impulso vital os quais, como o sol, ainda que por um breve sopro de calor, justificam uma existência inteira”.


Segundo o diretor Eduardo Figueiredo, “a montagem procura ressignificar o clássico a partir da experiência brasileira, aproximando questões universais – como solidão, impotência, incomunicabilidade, espera e busca de sentido – de problemas que atravessam o Brasil contemporâneo. Desigualdade social, racismo estrutural, conflitos identitários, crises políticas e econômicas, violência, xenofobia e uma crise climática sem precedentes integram o horizonte de uma sociedade em que muitas promessas permanecem adiadas”.


Assim, a dramaturgia vai muito além da ideia da repetição. Encontros, situações e relações de poder retornam sob diferentes formas, criando um universo em que sonho e ilusão se alternam. Prosa e poesia, diálogo e solilóquio, palavra e silêncio compõem uma linguagem cênica que explora as possibilidades de uma linguagem cênica marcada pelo absurdo, sem abandonar a dimensão poética.


A criação também dialoga com diferentes referências da literatura e do pensamento contemporâneo, especialmente pela representação de indivíduos submetidos a sistemas que parecem incompreensíveis e sobre os quais têm pouco ou nenhum controle. Essas referências convergem para uma dramaturgia interessada na repetição como experiência existencial, social e política.


Para o diretor, o conceito de esgotamento que atravessa a encenação: “diante dessa experiência estética em que o possível se realiza, mas tudo se esgota — inclusive o ser humano —, chegamos à ideia do esgotamento como uma experiência em que o possível se realiza até seus limites.”


A perspectiva brasileira ganha força na própria composição do elenco, formado pelos atores Rocco Pitanga e Robson Nunes. A presença de dois protagonistas negros em uma obra inspirada em um clássico do teatro ocidental europeu também é entendida como um gesto de afirmação de outras vozes e perspectivas dentro de um repertório historicamente marcado pela sub-representação de artistas negros.


Para Alex Bartelli, idealizador e produtor artístico, a montagem propõe retratar as especificidades históricas, culturais e políticas do Brasil. O resultado é uma obra na qual a espera também pode significar a expectativa por dignidade, reconhecimento, justiça e transformação.


É nesse ponto que o espetáculo encontra uma de suas principais singularidades: a espera não é apresentada apenas como paralisia, mas também como possibilidade de resistência. Mesmo quando as circunstâncias apontam para o vazio, os personagens insistem em existir, relacionar-se e celebrar o que ainda resta da vida. A brasilidade aparece, assim, no paradoxo entre escassez e celebração. Em meio à precariedade, há música, humor, festa e desejo.


 Foto: Priscila Prade


Ficha técnica


Dramaturgia: Gabriela Mellão


Direção artística: Eduardo Figueiredo


Elenco: Rocco Pitanga e Robson Nunes


Direção musical e trilha original: Federico Puppi


Cenografia: Kleber Montanheiro


Desenho de Luz: Aline Santini


Figurinos: Ronaldo Fraga


Assessoria de imprensa: Ney Motta


Fotos de divulgação: Priscila Prade


Idealização: Alex Bartelli


Produção Geral: Azayah


Realização: Sesc SP

 

Serviço

 

A História Que Se Repete


Direção Eduardo Figueiredo


Com Robson Nunes e Rocco Pitanga


Sinopse: Dois homens habitam um futuro distópico, onde tempo, memória e realidade se repetem em ciclos que fomentam vários questionamentos sobre nossa sociedade, relações de poder e civilidade. Um retrato lírico e crítico da condição humana diante do colapso cotidiano.



Local: Teatro Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo


Temporada: 9/10 a 8/11, quintas, sextas e sábados, às 20h, domingos (exceto 25/10) e feriados, às 18h. Sessões extras 17 e 24/10 às 15h.


Ingressos à venda pelo App Credencial Sesc SP ou www.sescsp.org.br/unidades/ipiranga a partir de 29/9, às 17h, e a partir de 30/9, às 17h presencialmente nas unidades do Sesc SP.


Valores: R$70,00 (inteira), R$35,00 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), R$21,00 (credencial plena).  


Classificação indicativa: 14 anos


Duração: 70 minutos


 Minibios


Rocco Pitanga consolidou uma das carreiras mais respeitadas de sua geração, construindo uma assinatura artística que une forte presença cênica, amadurecimento técnico e grande carisma. Conhecido do grande público por seus papéis marcantes na televisão e no cinema, o ator traz no teatro a espinha dorsal de sua identidade profissional, utilizando os palcos como um espaço de pesquisa contínua sobre a palavra, a ancestralidade e as urgências sociais.


Robson Nunes possui sólida trajetória no cinema, na televisão e no teatro, construindo uma carreira marcada pela versatilidade e pela capacidade de transitar com naturalidade entre a leveza da comédia e a intensidade do drama. Ao longo de décadas de atuação, consolidou-se como um artista de grande alcance popular, capaz de estabelecer uma conexão genuína com diferentes gerações por meio de personagens memoráveis. Presença constante na memória afetiva do público brasileiro, reafirma, a cada novo trabalho, sua maturidade artística e potência cênica.

 

Gabriela Mellão é autora, diretora e crítica teatral. É pós-graduada em Jornalismo Cultural na PUC, com passagem pela Universidade Sorbonne, em Paris (Cultura e Civilização Francesa) e Harvard, em Boston (Dramaturgia e História do Teatro Moderno). É colaboradora da Revista Bravo! desde 2006, atuando hoje como crítica da publicação. É jurada do Prêmio Shell de Teatro e do Prêmio APCA. Foi repórter teatral da Folha de São Paulo entre 2008 e 2012, além de curadora de diversos festivais e editais.

 

Eduardo Figueiredo é diretor e mestre em teatro pela USP, encenador e produtor de diversos espetáculos, sócio da manhas & manias Projetos Culturais e curador do Teatro J Safra. Trabalhou com mestres como Eugênio Barba, Carlos Cueva, La Otra Orilla, Living Theatre e Cia Yayachkani. Dirigiu grandes nomes do teatro brasileiro, entre eles Osmar Prado, Eva Wilma, Antonio Petrin, Leona Cavalli, Tânia Alves, Totia Meireles e Mel Lisboa. Reúne grandes sucessos do teatro e premiados espetáculos (Frida Y Diego, Mulheres Alteradas, O Veneno do Teatro, Elogio da Loucura, Um beijo em Franz Kafka, entre outros). 


Federico Puppi foi indicado ao Grammy Latino em 2015 por “Guelã” de Maria Gadú e em 2014 ao Grammy USA com o disco “Magic” de Sergio Mendes. Italiano radicado no Brasil, começou a estudar violoncelo aos 4 anos, no Suzuki Center – Itália. Formado no Conservatório de Aosta em violoncelo erudito, estudou música moderna no Liceu de Barcelona. Em 2006 recebeu uma scholarship para o Berklee College of Music durante o Umbria Jazz Festival, sendo o único violoncelista italiano a receber esse prêmio.

 

Kleber Montanheiro é um multiartista brasileiro com mais de 30 anos de carreira, atuando como diretor cênico, cenógrafo, figurinista, iluminador e artista visual em expografia. Ao longo de sua trajetória, trabalhou ao lado de grandes nomes do teatro nacional, como Gianni Ratto, Antônio Fagundes, Wagner Freire, Antônio Abujamra, Myriam Muniz e Naum Alves de Souza.

 

Aline Santini é hoje uma das mais prestigiadas iluminadoras do Brasil, com vasta experiência no meio teatral, reconhecida pela sua habilidade técnica e criatividade na arte de transformar ambientes e cenários por meio da luz. Graduada em Artes Visuais e Pós Graduada em Lighting Design na Faculdade Belas Artes em 2016. Estudou com o fotógrafo Carlos Moreira. Em 2023 recebeu o prêmio Shell na categoria Iluminação pelo espetáculo Mutações.

 

Ronaldo Fraga é considerado um dos maiores nomes da moda brasileira e um intelectual de seu tempo, transcende o universo das passarelas para se firmar como um artista completo, cuja genialidade se manifesta com igual potência em criações para o teatro, ópera, dança e exposições. Sua trajetória é marcada pela sensibilidade em contar histórias, traduzir identidades e provocar reflexões profundas sobre o Brasil e suas complexidades. E é justamente na esfera das artes cênicas que o talento de Fraga ganha novas dimensões, revelando sua expertise em construir mundos e personagens através do vestuário e da cenografia. Sua capacidade de pesquisa e o olhar apurado para a psicologia dos personagens o tornam um colaborador requisitado para produções de grande relevância.

 

Alex Bartelli é responsável pela pesquisa conceitual, curadoria artística e direção criativa, definindo a identidade estética e dramatúrgica de seus projetos. Ator-criador com experiência consolidada em teatro de pesquisa e autoral é formado em Artes Dramáticas e com pós-graduação em Gestão de Projetos, aprofundou seus estudos na Técnica Meisner com Tony Pearce (da New School of Drama, Canadá) e integrou o CPT, sob a coordenação de Antunes Filho. Com 20 anos de atuação em Artes Cênicas, sua prática é marcada por um rigoroso processo de pesquisa visual e estética, transformando a concepção teórica em projetos de alta complexidade plástica e conceitual.



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