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''Em celebração aos 30 anos do grupo Os Satyros,espetáculo Mississipi segue em temporada no

Em grande homenagem a história e trajetória do grupo teatral Os Satyros e a Praça Rooselvelt, no centro da cidade,uma das companhias de teatro mais importantes do país celebra seus 30 anos com a montagem do espetáculo Mississipi em cartaz em curta temporada no Teatro Anchieta no Sesc Consolação em São Paulo.

Elenco de Mississipi conta com 14 artistas da Companhia (Foto: André Stefano)


Pela primeira vez com uma montagem encenada em um dos teatros icônicos,históricos e com tradição na cidade de São Paulo,o Teatro Anchieta no Sesc Consolação,a companhia teatral Os Satyros comemoram seus trinta anos de existência com um espetáculo que abordam de forma abrangente e poética, todo o caos,desaventuras,cotidiano e emaranhadas situações que ocorreram na Praça Franklin Rooselvelt nos últimos vinte anos,localizada ali próximo entre as ruas Consolação e rua Augusta, no centro da cidade.

A companhia fundada e idealizada por Ivam Cabral e Rodolfo Garcia Vásquez,''Os Satyros'', tem em sua trajetória situações muito semelhantes e observadas á aquelas abordadas no espetáculo.Com pesquisas minuciosas realizadas pela companhia sobre os últimos vintes anos de convivência com pessoas da região,o espetáculo ''Mississipi'' retrata com maestria e de forma engenhosa as particularidades,cotidiano e situações atípicas que nem sempre saltam aos olhos das pessoas.Conhecida por abrigar sedes de teatros históricos da cidade de São Paulo,bares badalados,cinemas,prédios residenciais,restaurantes e uma praça democrática frequentada por jovens descolados,idosos,moradores de rua,prostitutas,usuários de drogas,esportistas,festivais culturais e público LGBT,a praça Rooselvelt também esconde muitas situações de descaso,conflitos e muita tristeza,retratada em duas horas de duração no espetáculo.


No começo do século XXI a chegada do grupo teatral,os Satyros,deu uma nova visibilidade e ares culturais á praça,naquela época a Rooselvelt era considerada um dos locais mais perigosos do centro de São Paulo,comparável à Cracolândia em violência e números de assassinatos.Com o decorrer dos anos,pela ação dos teatros underground,principalmente,a praça passou a ser uma área de cultura e arte, passando por profundas transformações,rodeada e em contraste com prostituição,moradores de rua e tráfico.E justamente sobre toda essa transição de tempo e histórico,o espetáculo Mississipi questiona em forma de musical toda a degradação e conflito vivenciado na praça nos últimos vinte anos.


Em cena com quatorze artistas da companhia em personagens desconexos,distintos e inusitados,Mississipi, personagem-título vivenciado pelo ator,diretor e escritor Ivan Cabral,um morador de rua sonhador e otimista,que chega a praça Rooselvelt em meados de 1999,há exatos vinte anos.Com acolhimento de outros moradores de rua semelhante á ele,Mississipi se torna o personagem central ao demonstrar á partir dali a emergente e obscura camada social dividida entre a praça e os arranha-céus localizados bem em frente á ela,dificuldades de sobrevivência,solidão,abuso policial,desafios do cotidiano,miséria,pedofilia,moralismo,intolerância e a violência eminente e a cada instante retratadas no espetáculo sem pudor ou constrangimento.

Em formato de musical em sua maioria com composições de artistas bregas dos anos 1970 como Odair José,Vanusa,Paulo Sérgio e muitos outros,o espetáculo ''Mississipi'' provoca de forma genuína e avassaladora a empatia,emoção,acolhimento e levanta o questionamento e reflexão do expectador em relação á situação de rua e moradores da praça no centro de São Paulo.A montagem desse espetáculo faz dela uma alegoria do cenário político e social do Brasil das últimas décadas.


Sinopse:


Em 1999, Raul é um bem-sucedido profissional que se estabelece na Praça Roosevelt e passa a se envolver sexualmente com homens em situação de rua.


Em 2009, Princesa e Vangloria vivem na rua. Princesa trabalhou em uma famosa boate dos anos 1970, Le Masqué. Vanglória é sua melhor amiga e companheira. Elas são amigas de Maresias, uma famosa atriz de TV, que vive deprimida e solitária, com pensamentos suicida apesar do sucesso e da estabilidade financeira.


Em 2019, os moradores dos apartamentos da praça mantêm relações paradoxais com as pessoas da rua. Mariana é uma mulher independente que admira a vida livre dessa população. Max é um jovem antissocial que despreza essas pessoas. Ele e seu amigo Thomas consideram-nos fracassados. Alone é recém-chegado à praça e deseja moralizar a região, eliminando as pessoas que vivem na rua.


Mississipi, personagem-título, tinha um sonho de criança: conhecer o estado americano em que seu nome era inspirado. Infelizmente, só conseguiu chegar à Praça Roosevelt, outro nome americano, e aparece em meio a essa trama. O painel de personagens com pessoas em situação de rua e moradores da praça abordam os desafios de suas vivências no centro da metrópole, como a intolerância e a violência social, a dificuldade de sobrevivência, a solidão, o abuso policial e a pedofilia. O espetáculo tem elementos de romance policial, espetáculo de denúncia, teatro narrativo e teatro-karaokê.

Segundo Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores da companhia, a presença do Satyros no Teatro Anchieta está relacionada à região, à proximidade conceitual e geográfica e, principalmente, ao acolhimento cultural que os três espaços (Satyros, Praça Roosevelt e Sesc Consolação) oferecem à população da cidade.


Em continuidade às comemorações, a companhia lançou o livro “Mississipi”, obra homônima ao espetáculo distribuido pela Giostri Editora, também inspirada em situações observadas e vividas pelo grupo na Praça Roosevelt.


Os Satyros


Os Satyros foi fundado em 1989, por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez. Já em seus primeiros anos de existência, se destacou por sua linguagem radical e temas polêmicos, em montagens como Sades ou Noites com os Professores Imorais (1990) e Saló, Salomé (1991).


Em 1992, a companhia foi convidada a participar de festivais europeus, em Portugal e na Espanha. Devido à grave crise política e econômica que dominava o Brasil, a companhia se transferiu para Lisboa, em um exílio voluntário até 1999.


Em dezembro de 2000, retorna a São Paulo, abrindo uma sede na Praça Roosevelt, na época considerada uma das regiões mais deterioradas do centro de São Paulo.


Os Satyros criaram em 2005 as Satyrianas, um festival de artes cênicas que foi incorporado pelo calendário oficial de eventos da cidade.Inicialmente realizado na própria praça, com diversas apresentações teatrais atravessando a madrugada com preços de ingressos ditados por cada espectador,que permanece anualmente até os dias atuais.


Ficha Técnica


Elenco: Ivam Cabral, Nicole Puzzi, Eduardo Chagas, Gustavo Ferreira, Henrique Mello, Sabrina Denobile, Fabio Penna, Julia Bobrow, Robson Catalunha, Felipe Moretti, Marcia Dailyn , Ju Alonso, Junior Mazine e Ingrid Soares


Texto: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.


Direção: Rodolfo García Vázquez.


Serviço


Local: Sesc Consolação – Rua Doutor Vila Nova, 245 – Vila Buarque – São Paulo.


Temporada: 20/4 a 26/5. Sextas e sábados, 21h. Domingos, 18h.


Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) e R$ 12,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena).


Classificação: 16 anos.


Informações: (11) 3234-3000.


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