''Mario Bortolotto dirige Oeste Verdadeiro de Sam Shepard''
- 4 de abr. de 2017
- 7 min de leitura
“Oeste Verdadeiro”, de Sam Shepard
com Sérgio Guizé, Carcarah, Mara Faustino e Walter Figueiredo
[estreia dia 07 de abril no Cemitério de Automoveis]
A peça conta a história do reencontro depois de anos dos irmãos Austin, bem sucedido, que vive uma vida confortável como roteirista de cinema e TV, e Lee, um outsider, selvagem, que passa grande parte de seu tempo no deserto e se sustenta através de roubos. Mutuamente provocados por uma mistura de aversão e inveja, os dois irmãos se confrontam quase ao ponto da morte.

Foto:Divulgação
''A obra-prima de Shepard ... Ela nos diz uma verdade, como vislumbrada por um gênio de 37 anos". (NY Post)
"É claro, engraçado, naturalista, é também opaco, terrível, surrealista. Se isso soa contraditório, você está vendo um aspecto do gênio de Shepard, a capacidade de fazer você pensar que está assistindo a uma coisa e ao mesmo tempo ele está apresentando outra." (San Francisco Chronicle)
Depois de “Criança Enterrada”, de Sam Shepard, montada em 2016, Mario Bortolotto dirige seu segundo texto do autor americano – “Oeste Verdadeiro” (True West). A peça, encenada nos circuitos Broadway e Off-Broadway nos anos 1980 com os atores Gary Sinise e John Malkovich, arrancou elogios da crítica por seu humor irreverente e não convencional, sendo definida como um dos melhores trabalhos de Sam Shepard.
Nesta montagem, com tradução de Ana Hartmann, estão em cena Sérgio Guizé, Carcarah, Mara Faustino e Walter Figueiredo.
SINOPSE:
A peça conta a história de dois irmãos - Austin (Carcarah), o mais novo, que frequentou uma universidade da Ivy League e vive uma vida confortável como roteirista de cinema e TV, e Lee (Sergio Guizé), um vagabundo errante que passa grande parte de seu tempo no deserto e se sustenta através de roubos.
Depois de um longo período de ausência, Lee aparece na casa de sua mãe (Mara Faustino), mas encontra Austin, que está lá para cuidar da casa enquanto a mãe viaja, e para tentar vender seu novo projeto ao produtor de Hollywood Saul Kimmer (Walter Figueiredo).
Cada irmão mostra desprezo pelo estilo de vida do outro, mas cada um percebe no outro um elemento que falta em sua própria vida. Ao ser apresentado a Saul, Lee o enreda e o convence a produzir um roteiro seu, e não mais de Austin. Assim, Saul decide abandonar o roteiro romântico de Austin para investir na história do "Oeste verdadeiro" de Lee, deixando o irmão furioso.
Os papéis dos irmãos então se invertem: Lee, sem prática nem conhecimento, tenta desesperadamente botar no papel o seu roteiro. Austin, frustrado e traído, se torna um ladrão bêbado.
Deixados essencialmente a si mesmos e provocados por uma mistura de aversão e inveja, os dois irmãos continuam a se agredir. Austin sufoca Lee quase ao ponto da morte, e o jogo termina com os dois irmãos equilibrados para ainda mais um combate.
O OESTE DE SHEPARD
Segundo a lenda, o Oeste americano foi um dia um lugar de oportunidades de liberdade e aventuras. Mas agora, este mesmo ambiente e estas possibilidades são ilusórios. O novo Oeste, onde os coiotes devoram cocker spaniels em quintais suburbanos, mantém a ameaça do velho Oeste, mas pouco do seu potencial para o heroísmo.
Os protagonistas neste território hoje pavimentado, mas ainda selvagem, são dois irmãos reminiscentes de Caim e Abel.
AUSTIN representa a possibilidade de prosperidade do Oeste. Quando a peça inicia, fica claro que ele está vivendo a quintessência do sonho californiano-americano. Ele é um roteirista bem-sucedido, com esposa e filhos. Vive uma vida confortável, com poucas aventuras.
LEE, ao contrário, simboliza a liberdade e o lado selvagem do Oeste. Ele é um espírito livre que vem e vai ao seu bel-prazer, sem se prender a nada nem a ninguém.
"Eu queria escrever uma peça sobre a natureza dupla, uma que não seria simbólica ou metafórica, ou qualquer outra coisa, eu só queria dar uma amostra do que é ter dois lados. A natureza dupla existe, é uma coisa real ... Eu acho que estamos divididos de uma forma muito mais devastadora do que a psicologia pode revelar. Não é tão bonito, não é algo que possamos superar, é algo com que temos que conviver ", explica Sam Shepard.
PALAVRA DO DIRETOR
“‘Oeste Verdadeiro’ é uma realização pra mim. Eu sempre quis interpretar um desses personagens de Sam Shepard que é um dos dramaturgos que sempre venerei. Estou dirigindo a peça. É a segunda peça do autor que dirijo. A primeira foi “Criança Enterrada”. Tem sido extremamente gratificante dar vida aos personagens de Sam Shepard, ver se materializando em cena um universo que me é muito caro, me aproximar e tentar investigar toda essa aridez poética que está por baixo das palavras do autor. Depois de já ter mergulhado em universos de autores que me são tão caros (Bukowski, Kerouac, Jon Fosse, Reinaldo Moraes, Marcelo Mirisola, Marçal Aquino, Daniel Galera, Lourenço Mutarelli, Daniel Pellizzari, Tracy Letts, Gary Richards, Andre Kitagawa, Cristiano Baldi, Anna Reynolds, Rebbeca Prichard, Stephen Belber), poder trabalhar com dois textos de Sam Shepard me parece uma benção do tipo que não poderei pagar.” (Mario Bortolotto)
TRAJETÓRIA DA PEÇA
Oeste Verdadeiro foi realizada pela primeira vez em julho de 1980 no Magic Theatre, em San Francisco, e foi muito bem recebida.
Por causa do status ascendente de Shepard (ele havia ganhado um Prêmio Pulitzer em 1979 por Buried Child), a peça foi trazida para Nova York, onde, de acordo com as palavras de Don Shewey, da Village Voice, se tornou um evento de mídia, anunciado como “o trabalho o mais recente "do dramaturgo mais quente da América”. Esta produção contava com os atores de cinema novaiorquinos Tommy Lee Jones e Peter Boyle nos papéis de Austin e Lee.
Mas foi com a produção do Steppenwolf Theater em Chicago, liderada e representada pelos atores Gary Sinise e John Malkovich, que a peça se consolidou na crítica americana. Esgotou os ingressos em Chicago para uma temporada de seis semanas, em seguida, cumpriu mais doze semanas em um teatro maior, mais comercial de Chicago, sendo posteriormente inserida no circuito Off-Broadway, novamente em Nova York. A peça arrancou elogios da crítica por seu humor irreverente e não convencional, sendo definida como um dos melhores trabalhos de Sam Shepard. No Brasil, foi dirigida em 1999 por Marco Ricca.
ESTREIA:
dia 07 de abril (6ªf), às 21h
LOCAL: Teatro & Bar Cemitério de Automóveis
Rua Frei Caneca, 384 – Consolação / SP Tel: (11) 2371-5743
HORÁRIOS: sextas e sábados, 21h e Domingos 20h / DURAÇÃO: 90 minutos / INGRESSOS: R$ 40,00 e R$20,00 (meia) / HORÁRIO BILHETERIA: sexta a domingo, das 19h até o início da peça / FORMAS DE PAGAMENTO: dinheiro e todos os cartões de débito e crédito (não aceita cheque) / CAPACIDADE: 35 lugares (acesso a cadeirantes) / CLASSIFICAÇÃO: 16 anos / TEMPORADA: de 07 a 30/04 e de 19/5 a 11/06
FICHA TÉCNICA
Texto: Sam Shepard
Tradução: Ana Hartmann
Direção Artística: Mário Bortolotto
Elenco: Sérgio Guizé, Carcarah, Mara Faustino e Walter Figueiredo
Cenografia: Mariko e Seiji Ogawa
Figurino: Letícia Madeira
Iluminação: Caetano Vilela
Trilha: Mário Bortolotto
Fotos: Grima Grimaldi
Programação Visual: André Kitagawa
Assistente de direção: Peterson Queiroz
Operação técnica: Ademir Muniz e Gabriel Oliveira
Produção: Isabela Bortolotto
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
MÁRIO BORTOLOTTO - diretor
Autor, diretor e Ator. Trabalhou com Fauzi Arap nas peças: Kerouac, Frida e Santidade, sendo indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator. Dirigiu Noturnos de Jon Fosse, Garotas da Quadra de Rebecca Prichard, Tape de Stephen Belber, Killer Joe de Tracy Letts, Criança Enterrada de Sam Shepard e mais de 50 peças de sua autoria. No cinema, atuou em Balaio e Enjaulados de Luiz Montes, recebendo o prêmio de Melhor Ator em BH, Meninos de Ki-Chute de Lucas Amberg, Augustas de Francisco César Filho, Espiritualidade na Tv Cultura, direção de Lírio Ferreira e A Teia, de Bráulio Mantovani, na Rede Globo. Dirigiu Billy, a Garota, na Cultura. Ganhou também o Prêmio de "Melhor Ator" no XX Festival de Cinema Luso-Brasileiro 2016 pelo filme Borrasca, com direção de Francisco Garcia. Co-escreveu o roteiro de Meu Mundo em Perigo, de José Belmonte. Em 2000, recebeu o prêmio APCA pelo conjunto da obra e o Prêmio Shell de Melhor Autor.
SÉRGIO GUIZÉ – ator, no papel de LEE
Sérgio Guizé: Formado pela Escola Livre de Teatro, de Santo André (SP), e pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul (SP), Sergio estreou no teatro em 1998, atuando em O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com o Núcleo de direção da ELT, com coordenação de Antônio Araújo. Depois, fez Ópera Punk, Existe Alguém Mais Punk que Eu?, Crime e Castigo e Apocalipse 1,11, em 2004, quando paralelamente estreou na TV participando da telenovela da Rede Globo Da Cor do Pecado. Na mesma emissora atuou também em Por Toda a Minha Vida no episódio sobre Dolores Duran, Caminho das Índias e Tapas & Beijos, interpretando a travesti Lorraine. Atuou também em 9mm: São Paulo (Fox), Macbeto (TV Cultura) e Sessão de Terapia (GNT).
No cinema, atuou nos filmes: O Abismo Prateado, O Crime do Pato Branco, Quanto Dura o Amor?, Até o Fim do Dia, Tempos de Aquário, O Diário de Simonton, Bruna Surfistinha, Onde Está a Felicidade?, Os Inquilinos e Vai que Dá Certo. Em 2013, Sérgio protagonizou o remake da novela Saramandaia representando João Gibão, que foi interpretado por Juca de Oliveira na primeira versão.
Em 2014, foi o escolhido para protagonizar a novela das sete Alto Astral, ao lado da atriz Nathalia Dill. Viveu o terceiro protagonista da carreira na televisão como Candinho de Êta Mundo Bom!, novela das seis da Rede Globo, ganhador do prêmio de Melhor Ator no Melhores do Ano Troféu Domingão.
CARCARAH – ator, no papel de AUSTIN
É ator, produtor e ilustrador. Há 6 anos integra o grupo de teatro Cemitério de Automóveis, onde participou das peças: Curta Passagem (2009), Música para Ninar Dinossauros (2010), Post-cards do Atacama (2010), Deve Ser do Caralho o Carnaval em Bonifácio (2011), Quartos de Hotel (2012), Borrasca (2013), Ovelhas que Voam se Perdem no Céu (2014) e Dentes Guardados (2014), todas sob a direção de Mário Bortolotto. Atuou também na peça Hotel Lancaster (2012), com direção de Marcos Loureiro e Pornô Falcatrua (2014), com direção de Gustavo Machado. Produziu e atuou na peça Killer Joe (2014/2015) e na peça Criança Enterrada (2016). No cinema, participou como ator do média-metragem Fogo Fácil (2012), de Rafael Coutinho; entre diversos curtas. Como produtor, iniciou sua trajetória com a bem sucedida montagem de Killer Joe, que cumpriu três temporadas bem sucedidas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro, no Teatro Poeira. Também produziu as peças O Canal e Criança Enterrada.
Fonte:Assessoria de Imprensa


Comentários